Cooperação biomédica: Rússia e Cuba consolidam sua primeira empresa biofarmacêutica conjunta, unindo suas consideráveis expertises na área.
Julho/2026, Mirko Casale
O que é a Biofarmacêutica Sinergia Global? Qual a sua importância no atual contexto geopolítico? E quais contribuições para a saúde podemos esperar dela? Empresa mista criada por Cuba (BioCubaFarma) e Rússia, com sede em território russo, para desenvolver, produzir e comercializar medicamentos inovadores...
Com um investimento inicial de US$ 11 milhões e um adicional planejado de US$ 100 milhões, o principal objetivo da empresa, além de combinar as capacidades de ambos os países, é expandir o alcance comercial dos biofármacos cubanos, aumentando sua capacidade de produção e distribuição.
A oficificialização dos investimentos se deu logo após o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, onde importantes acordos para o desenvolvimento conjunto de diversos medicamentos foram anunciados. De fato, a colaboração entre Moscou e Havana nessa área não é novidade. Por exemplo, medicamentos já em uso, como o Heberprot-P (aplicado em casos de pé diabético), o Hebermin (creme para tratar queimaduras) ou o anti-inflamatório Jusvinza, são resultado da aliança científica e comercial russo-cubana.
No entanto, a área clínica que mais atrai atenção e, obviamente, gera maiores expectativas, é a de potenciais tratamentos contra o câncer, onde ambos os países têm demonstrado resultados promissores.
Por exemplo, Cuba já desenvolveu com sucesso um medicamento como o CimaVax-EGF, utilizado contra um tipo muito agressivo de tumor de pulmão, aumentando significativamente a expectativa de vida do paciente. Outra vacina terapêutica cubana contra o câncer, neste caso com um leque mais amplo de aplicações, é a HEBERSaVax, que interrompe o fluxo sanguíneo para as células tumorais e tem apresentado resultados promissores em tumores de ovário, colorretais e renais.
Por sua vez, a Rússia já desenvolveu algumas vacinas terapêuticas baseadas no perfil genético de cada paciente, que recebem inoculações totalmente personalizadas. Tanto o Oncopept quanto o NeoOncovac estão sendo administrados a pessoas com resultados encorajadores. O medicamento EnteroMix segue uma abordagem diferente: a administração de um conjunto de vírus que atacam as células tumorais e ativam o sistema imunológico da pessoa em tratamento.
Com essa bagagem de experiência científica exitosa acumulada, surge a esperança, que os cientistas dos dois países, agora atuando de maneira conjunta, desenvolvam ainda mais vacinas e medicamentos contra diversos tipos de câncer, superando o que Rússia e Cuba já produziram anteriormente de maneira separada.
Do ponto de vista geopolítico é também uma coincidência significativa que ambas as nações estejam sofrendo (cada uma à sua maneira e com diferentes graus de intensidade) com a aplicação de medidas coercitivas ilegais por parte do Ocidente sob liderança dos Estados Unidos, o que tornará esse tipo de colaboração cada vez mais comum.
A experiência com relação à grande mídia neste caso também nos diz que qualquer conquista conjunta russo-cubana resultante dessa cooperação na área da saúde será imediatamente descartada pela grande imprensa.
Testemunhamos isso durante a pandemia de COVID-19, quando a vacina russa Sputnik V sofreu um ataque furioso da imprensa subserviente às grandes empresas farmacêuticas anglo-saxônicas — ou melhor, à dita imprensa "livre e independente" —, enquanto as vacinas cubanas Soberana e Abdala foram basicamente ignoradas ou menosprezadas. Nenhuma delas, russa ou cubana, foi aprovada pela OMS, que, quase sem exceção, preferiu as apresentadas por laboratórios privados das Big Pharma do Ocidente Coletivo.
Portanto, não é difícil imaginar qual será a reação política e midiática do Norte Global se a Synergia Global Biofarmacéutica anunciar qualquer conquista significativa em sua aliança. Imagine, se o Ocidente já não admite os avanços da ciência cubana e russa separadamente, qual será a reação a uma combinação de ambas!
Não importa se este potencial medicamento futuro melhorar e prolongar a vida de pacientes com câncer, reduzir tumores ou até mesmo eliminá-los completamente. Seja o que for, será recebido como "suspeito", "não comprovado", "presumido", "suposto" e "inseguro" pelos principais veículos de comunicação corporativos e pelos partidos políticos igualmente corporativos.
Felizmente, com base na experiência, tanto nós quanto vocês estamos preparados para essas reações e não seremos pegos de surpresa.
Enquanto isso, juntos aguardaremos calmamente boas notícias sobre esta nova colaboração, sem alimentar esperanças desproporcionais ou utópicas, é claro, mas também sem nos deixarmos influenciar por preconceitos impostos por interesses puramente políticos e comerciais. É assim que todos deveriam se comportar em assuntos científicos.
Este texto é uma adaptação de um vídeo produzido pela equipe de '¡Ahí les va!' - RT, escrito e dirigido por Mirko Casale.

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